A educação paulista não está apenas à deriva; ela está sendo deliberadamente afogada em um mar de negligência e vaidade ideológica. O recente episódio envolvendo a APEOESP e a URE de Avaré é o retrato cuspido e escarrado de uma categoria que foi abandonada por quem deveria ser seu escudo.
O Sindicato das notas de repúdio
É de um cinismo atroz que o maior sindicato da América Latina se preste ao papel de "porteiro ideológico" enquanto seus representados definham. Ao repudiar a ajuda de um deputado — sob a justificativa pueril de sua patente militar ou proximidade com o governo — a APEOESP assina um atestado de incompetência.
A realidade é cruel: Enquanto a cúpula sindical joga xadrez político em salas acarpetadas, o professor no "chão da escola" enfrenta o assédio moral de dirigentes que se comportam como monarcas absolutistas.
A Paralisia da "Greve de Fachada"
Anunciar uma paralisação de dois dias como resposta ao descaso de Renato Feder é, para dizer o mínimo, risível. É acreditar que o governo treme diante de um calendário de greve que mal serve para esticar um feriado. Se a APEOESP tivesse a força que ostenta em seus panfletos, o estado pararia. Mas a verdade dói: o sindicato não consegue engrenar uma greve geral porque perdeu a conexão com a realidade e a confiança da base.
O Cenário de Guerra na URE de Avaré
O que acontece na Diretoria de Ensino de Avaré é um sintoma de uma doença maior:
Perseguições Sistemáticas: Professores afastados por não se curvarem ao autoritarismo.
Adoecimento Mental: Uma epidemia de depressão e ansiedade causada por um ambiente de trabalho tóxico.
Gestão de Costas para o Professor: Um Dirigente de Ensino que se encastela, ignorando o clamor de quem realmente faz a educação acontecer.
O Último cravo no caixão
O governo desdenha dos professores porque sabe que eles estão órfãos. De um lado, um Sindicato medíocre que prioriza a cor da bandeira em vez da dignidade do salário; de outro, uma categoria que, acuada pelo medo de represálias, hesita em processar e denunciar o assédio desse "mini-rei" que comanda a região.
O diagnóstico é claro. Enquanto a política partidária for o oxigênio do sindicato, os professores continuarão nadando no lodo da desvalorização. O saudosismo das grandes mobilizações do passado hoje é apenas uma sombra. Se a categoria não tiver a coragem de se desvencilhar dessa estrutura viciada que é a APEOESP e enfrentar o assédio de frente, o destino será o silêncio dos corredores e o barulho dos atestados médicos.
Pobres professores!
Viva a APEOESP!













