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Palanque do Zé #366 – O Mínimo Sobre Armas e Cristianismo

Por Jornal A Bigorna 18/08/2025 14:00:00 975
Palanque do Zé #366 – O Mínimo Sobre Armas e Cristianismo

No último final de semana, li o livro “O Mínimo Sobre Armas e Cristianismo”, de Bene Barbosa, a maior autoridade do Brasil, quando o assunto é armamento da população civil.

Na essencial, mas curta obra (cujo título já entrega seu objetivo: Falar o mínimo sobre o tema em apenas 115 páginas tipo pocket) Bene argumenta que o porte e a posse de armas de fogo por cristãos é compatível com os princípios e ensinamentos da Bíblia.

A obra se propõe a desmistificar a ideia de que a posse de armas é intrinsecamente pecaminosa, examinando o tema sob uma perspectiva teológica e histórica.

Visando a fácil compreensão do assunto, o autor estrutura sua defesa em tópicos, confrontando interpretações pacifistas do cristianismo:

Legítima Defesa: Barbosa argumenta que a Bíblia não condena a legítima defesa. Ele usa a passagem de Lucas 22:36, onde Jesus diz aos discípulos para venderem suas capas e comprarem espadas, para indicar que, em certas circunstâncias, a autoproteção é permitida. A ideia é que a vida e a família são bens que devem ser protegidos, e a inação diante de uma ameaça pode ser vista como negligência.

O Mandamento “Não Matarás”: O autor faz uma distinção crucial entre o ato de assassinar (condenado por Deus) e o ato de matar em legítima defesa. Ele explica que a palavra hebraica original usada no sexto mandamento, “ratsach”, significa assassinato premeditado, e não a ação de tirar uma vida em autoproteção ou em guerra justa.

A Responsabilidade de Proteger: O livro defende que a proteção de inocentes é um dever moral, e não uma opção. Para Bene Barbosa, o cristão tem a responsabilidade de ser o “sal da terra” e a “luz do mundo”, o que inclui agir para proteger aqueles que não podem se defender. O porte de armas, nesse contexto, seria uma ferramenta para cumprir essa responsabilidade.

Jesus e a Não-Violência: Bene questiona a interpretação de que Jesus era um pacifista absoluto. Embora Jesus pregasse o perdão e o amor aos inimigos, o autor argumenta que isso se aplica ao âmbito pessoal, não à esfera da segurança e da proteção de terceiros. A “não-resistência ao mal” (Mateus 5:39) é contextualizada como um mandamento para não revidar insultos ou injustiças pessoais, e não para se abster de proteger a vida de outros em situações de perigo iminente.

O Papel do Estado e a Tirania: O livro discute o papel de oposição do cristão a governos tiranos e opressores. Barbosa cita o direito histórico do povo de se defender contra a tirania. A posse de armas, nesse sentido, é vista como um último recurso para prevenir a opressão estatal e garantir a liberdade individual, uma responsabilidade que ele considera parte da ética cristã.

Em suma, “O Mínimo Sobre Armas e Cristianismo” é um livro que desafia a visão de um cristianismo puramente pacifista, defendendo que o uso responsável de armas de fogo para a proteção da vida, da família e da liberdade não apenas é moralmente aceitável para os cristãos, mas, em muitos casos, pode ser considerado um dever.

É um livro que realmente vale a pena ser lido, porque além do relevantíssimo tema debatido, traz diversas curiosidades, a começar pela capa, cuja ilustração traz a figura de São Gabriel Possenti da Madre Dolorosa, (nascido Francesco Possenti, aos 1 de março de 1838 e falecido em 27 de fevereiro de 1862), que viveu na cidade de Isola del Gran Sasso, na região de Abruzzo, Itália. Ele era conhecido por sua grande devoção às dores da Virgem, Mãe de Cristo.

Conta-se que era o décimo de treze filhos de Sante Possenti, um Advogado que exercia o cargo de Prefeito. Sua mãe, Angese Frisciotti, era de nobre descendência, e morreu quando Gabriel tinha apenas quatro anos. Ele era uma criança vivaz e feliz, com uma tendência de ser desobediente e ficar com raiva cada vez que era repreendido pelo pai.

O comandante da guarnição militar de Spoleto ensinou o menino a manejar a pistola e o fuzil. Gabriel era considerado exímio cavaleiro e atirador, a caça sendo seu lazer favorito, algo não só comum na Europa, mas essencial para a subsistência.

Ele começou a frequentar o colégio dos jesuítas em Spoleto aos 13 anos. Durante seus anos na escola, ele se mostrou um aluno inteligente e genial, agradando tanto os professores quanto os colegas.

Durante esse tempo, ele mostrou um certo gosto para as “coisas do mundo”. Seus biógrafos dizem que “ele era elegante, grande dançarino e não perdia uma festa”. Frequentava o teatro e lia romances, “reconhecendo mais tarde quão perigosas essas atividades eram para a sua alma”.

Com essas atitudes e vida desregrada, ninguém acreditou quando ele disse que, após completar seus estudos, iria tornar-se padre”.

Durante uma grave doença que o acometeu, ele fez a promessa que, se ficasse bom, dedicaria sua vida a Deus. Mas, passada a doença, “esqueceu” o prometido.

Porém, outra vez caiu enfermo e novamente repetiu a promessa. Depois de curado e mais uma vez “esquecido” o prometido, estava ele assistindo uma procissão que passava com uma grande imagem de Nossa Senhora, quando os olhos da Virgem fitaram-no fixamente e ele ouviu as palavras: “Cumpra sua promessa!”.

Abalado após o sinal divino ele decidiu cumprir o prometido e, com vinte anos de idade, entrou para o seminário local onde recebeu o nome de irmão Gabriel.

Em 1860, após a batalha de Castelfidardo, cerca de vinte mercenários renegados, ligados ao exército de Garibaldi, apareceram na cidade para pilhá-la e aterrorizar os moradores. Irmão Gabriel, com a autorização do reitor do seminário, caminhou desarmado para o centro da cidade para enfrentar os bandidos.

Um dos mercenários, que estava prestes a violentar uma jovem, ridicularizou-o por vir sozinho enfrentá-los, mas Possenti, numa rápida manobra, tirou o revólver da cintura do mercenário e ordenou que ele soltasse a mulher.

Enquanto o homem obedecia, ele rendeu outro ladrão que se aproximava e apropriou-se de outro revólver. Ao verem o que estava acontecendo, os demais mercenários correram em defesa dos companheiros para dar um jeito no Monge.

Nesse momento, reza a lenda, que uma pequena salamandra atravessou a rua entre Possenti e a tropa que se aproximava. “Quando por um breve momento o animal parou, Possenti fez pontaria e matou-a com um único tiro certeiro”.

Apontando os dois revólveres para os mercenários, Possenti ordenou que todos largassem suas armas imediatamente.

Como os bandidos perceberam que o então Monge era bom de mira, decidiram obedecer e saíram em debandada, não sem antes cumprir uma última ordem, pois Possenti determinou que eles apagassem todos os focos de incêndio que haviam iniciado.

Após a retirada dos mercenários, o povo agradecido levou Possenti nos braços até o seminário chamando-o de “O salvador de Isola”.

Possenti queria ser enviado para as Missões após sua ordenação, entretanto morreu muito jovem, em 1862, aos 23 anos.

Foi canonizado em 1920 pelo Papa Bento XV como São Gabriel Possenti da Madre Dolorosa e, junto com Santo Aloisio, é considerado um dos padroeiros da juventude pela Igreja Católica Apostólica Romana. Sua festa é comemorada no dia 27 de fevereiro.

Os estudiosos do tema, entretanto, apontam que não foi o episódio acima narrado que levou à canonização de São Gabriel Possenti, mas sim o seu exemplo de vida, o qual mostrou que a santidade não é antagônica às demais virtudes humanas como coragem e determinação.

Por tudo isto, atiradores e armeiros de todo mundo estão em campanha para torná-lo também Padroeiro dos Cidadãos Armados.

A campanha é liderada por John Snyder, um ex-seminarista e atirador americano que entregou ao Papa João Paulo II, em 05/03/2001, uma medalha da Sociedade São Gabriel Possenti, onde se vê na frente uma imagem do Santo, um revólver e uma salamandra rodeados pelos dizeres: “São Gabriel Possenti protetor dos atiradores”. No verso vê-se um alvo estilizado e os dizeres: “Guie nossa mira para acertar no centro. Proteja-nos dos inimigos do amor, da justiça e da liberdade”.

Em carta datada de 12/03/2001, o Secretário de Estado do Vaticano, Monsenhor Pedro Lopez Quintana escreveu a John Snyder que “o Papa (João Paulo II) apreciou o presente e os devotados sentimentos que o motivaram”.

Em sua carta de encaminhamento da medalha ao Papa, Snyder afirma que “nossa devoção a São Gabriel Possenti é porque seu exemplo nos mostra a conexão íntima e consistente que existe entre o direito à vida, o direito à defesa própria, o direito a posse dos meios de defesa e o direito de armar-se para a defesa própria”.

 

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