Desde que publiquei a minha Lista Anual de Livros 2025, cujo link está disponível no rodapé desta coluna, tenho ouvido pessoas indignadas pelo fato de eu ter atribuído ao livro “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, a nota 3, numa escala onde zero significa que a obra sequer deveria ter sido publicada e dez, o suprassumo da literatura humana.
É óbvio que referida nota reflete especificamente a minha opinião sobre a obra, não servindo de base para muita coisa.
Para mim, “Cem Anos de Solidão” é uma obra confusa, devido aos inúmeros “vai e vem” na linha do tempo, a completamente desnecessária repetência de nomes dos personagens e da fértil imaginação do autor, cujos fatos não são baseados em nenhuma regra que ele mesmo tenha escrito.
É inegável que García Márquez mudou a literatura mundial com o movimento que criou, chamado de “Realismo Mágico”. Porém, acredito que isso, por si só, não valide a sua obra toda, automaticamente.
Sou grande fã de J.R.R. Tolkien, autor de “O Senhor dos Anéis”, “O Hobbit” e tantos outros. Inclusive, para mim, as citadas obras levam nota dez. Mas isso não quer dizer que toda a obra do escritor inglês seja magnífica! “Silmarillion” e “Contos Inacabados” são enfadonhos ao limite…
Ernest Hemingway é autor de diversos livros nota dez em minha opinião. “O Velho e o Mar” e “Por quem os Sinos Dobram” são exemplos. Mas “Paris é uma Festa”, é uma desgraça.
Disse tudo isso, apenas para preparar o terreno para emitir a seguinte opinião: O fato de um autor ser famoso e ter escrito diversas outras belas obras, não valida toda a sua produção literária.
E o inverso também é verdadeiro… “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J.D. Salinger mudou o mundo. Mas foi a sua única obra relevante!
Uma pergunta que sempre me faço é: “Quantos livros “nota dez” existem por aí, e que nunca verão a luz?”.
Porque a quantidade de livros ruins, e que são cultuados somente pelo fato de que foram escritos por Fulano ou Beltrano, é imensa.
Eu posso estar muito errado, pois não sou o senhor da razão, mas acredito que 90% das pessoas que cultuam e efetivamente leram obras como “Ulysses”, de James Joyce, “Moby-Dick”, de Herman Melville, “Guerra e Paz”, de Tolstoy ou “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, por exemplo, não conseguem fazer um resumo com começo, meio e fim de cada uma delas.
Ocorre que é socialmente bonito parecer intelectual, ao mesmo tempo que é vergonhoso para muitas pessoas, admitirem que se divertem com “literatura rasa” de autores como John Grisham, James Patterson, Dan Brown ou Stephen King. Eles são, na visão dessas pessoas, “muito populares”. E conhecer as suas obras não os tornam eruditos, especiais ou superiores ao “resto do povo”.
Penso que a literatura, assim como as outras formas de cultura, existem para nos entreter, divertir, ensinar e emocionar.
O resto? É só o resto… Leia por você e para você.













