A derrota do indicado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Supremo Tribunal Federal, Jorge Messias, marcou mais do que um simples revés legislativo. Com 42 votos contra 34, o Senado assinou a sentença de morte política da atual administração federal, um desfecho que transcende a mera questão da vaga judiciária.
Primeiro porque Messias (ou “Bessias”, para os íntimos), é mais um amigo que Lula pretendia alocar na Suprema Corte, afinal, são chegados de longa data. Se você não sabe do que estou falando, recomendo que assista ao vídeo que deixei no rodapé dessa coluna.
Mas também basta saber que no Governo Lula 3, ele é o Advogado-Geral da União, ou seja, o braço-direito do Governo no Judiciário.
Mas, voltando ao assunto, todo político conhece a regra não escrita: Antes de comunicar qualquer decisão de relevância, consulta-se aqueles cuja cooperação é essencial. Quando o Palácio do Planalto anunciou publicamente seu escolhido sem antes estabelecer diálogo com a Presidência do Senado, cometeu um erro fatal.
É o popular “faltou combinar com os russos”.
No caso, o “russo” é Davi Alcolumbre, que ambicionava ver o Senador Rodrigo Pacheco ocupar a vaga que fora um dia de Barroso, no STF.
Alcolumbre não é flor que se cheire, mas não é burro. E reconhecia o risco iminente. Confrontar-se sozinho com Lula seria fatal. Por isso, buscou ajuda de ninguém menos do que o Todo-Poderoso Ministro Alexandre de Moraes, que também se opunha a Messias para a Corte, pois a indicação fortaleceria André Mendonça, Ministro cujas posições recentemente divergem das necessidades de Moraes, particularmente no caso envolvendo o Banco Master, instituição que tem como uma de suas advogadas, a Dra. Viviane, sua esposa.
A engrenagem se encaixou perfeitamente: Alcolumbre obstruiria a aprovação no Legislativo enquanto Moraes protegeria os interesses de ambos na esfera judicial. Nada mais do que o já conhecido “ganha-ganha” da política brasileira.
Diante dos fatos, Lula se viu obrigado a usar o peso da máquina pública para ajudar o bom e velho “Bessias” a garantir seu lugar no STF: Liberou cerca de 12 bilhões em emendas orçamentárias aos Senadores e negociou posições estratégicas em órgãos reguladores, jeito bonito de dizer “cabides de emprego para apaniguados”.
Ainda assim, fracassou completamente. Essa foi a segunda rejeição da história do Senado, a uma indicação para vaga no STF. A Primeira foi em 1894, quando o então Presidente, Prudente de Moraes, achou que era uma boa ideia indicar um médico ao STF. É, pois é...
Voltemos aos nossos dias: Na véspera da votação, Alcolumbre já anunciava confiante que tinha aproximadamente cinquenta votos para barrar a indicação de Jorge Messias ao Supremo.
Minutos após a votação, antes mesmo da divulgação oficial do resultado, refinou sua previsão com precisão cirúrgica: Derrota por exatamente oito votos. Sabemos disso pelo áudio “vazado” na transmissão da TV Senado”.
E assim ocorreu. O recado é cristalino: Quem manda aqui sou eu.
Lula agora enfrenta encruzilhada sem saídas satisfatórias. Insistir no mesmo nome significaria sofrer humilhação histórica inédita. Recuar e indicar Pacheco representaria governar subjugado até o final do mandato. Postergar a indicação até após as próximas eleições entrega a vaga ao adversário político caso haja derrota eleitoral.
Uma sinuca de bico e tanto.
Alcolumbre, por outro lado, já cobrou antecipadamente seu preço: Apoio à sua permanência na Presidência da Casa Alta do Parlamento.
Se Lula conseguir – não vai – seu quarto mandato como Chefe do Executivo Federal, terá que lidar com Alcolumbre mais uma vez.
Nesse cenário, projetos importantes ao Governo do PT, como o fim da jornada 6x1, regulação do trabalho por aplicativos, regulamentação da Internet e etc.., custariam muito para serem apreciados, porque quem controla a Pauta de Votações é... o Presidente do Senado!
Juridicamente falando, o Governo Lula se arrasta até 2027. Na prática, morreu semana passada, porque nada de favorável ao Governo progredirá no Congresso. Pelo contrário: Apenas medidas contrarias à administração avançarão legislativamente.
Ruim para Lula, ótimo para o Brasil!
--- -- ---
“Bessias”
https://youtu.be/XkAl6NmkFtY?si=CDTSLHn4jG7BM6gr
--- -- ---
Se você gosta e apoia o meu conteúdo, participe dos grupos do Palanque do Zé.
Telegram: https://t.me/palanquedoze
WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/FhUuwHcdyvJ8RrZ9Rzzg53
--- -- ---
Os conteúdos publicados no “Palanque do Zé” não refletem, necessariamente, a opinião do Jornal A Bigorna. Assim, são de total responsabilidade do Autor, as informações, juízos de valor e conceitos aqui divulgados.













