Na última segunda-feira, dia 22 de junho, foi anunciada a renúncia do primeiro-ministro do Reino Unido, do Partido Trabalhista, de centro-esquerda, Keir Starmer. Foi aberto a partir do fato, o processo de entrada do sétimo premier como chefe de governo desde o turbulento Brexit, em 2016, no qual o país retirou-se da União Europeia, depois de 47 anos de participação. Starmer assumiu o cargo no ano de 2024, numa eleição que obteve a maioria esmagadora dos votos contra o Partido Conservador, sob promessa de finalizar o caos político em uma nação marcada pela supremacia da estabilidade.
O projeto de Theresa May não foi alcançado na implantação e efetivação do Brexit; Boris Johnson foi alvo de intensos escândalos; Liz Truss durou apenas 45 dias no cargo, contexto marcado pela morte da Rainha Elizabeth II e uma crise energética causada pelo conflito Rússia X Ucrânia, bem como a pandemia de Covid-19 e por fim, Sunak, um hindu milionário, não reverteu o desgaste político e econômico. É conclusivo que a saída britânica da UE foi efeito de uma polarização política inútil, amplamente fomentada pelo líder da extrema-direita britânica, Nigel Farage, reacendendo a xenofobia e a “higienização social” em um território dependente da mão de obra imigrante.
A saída de Starmer ocorre em um momento de pressões e desgaste político, mês após mês, incluindo críticas dentro do próprio Partido Trabalhista. A promessa de soberania inglesa pós Brexit; o fortalecimento econômico e o maior controle das fronteiras ruiu. Ainda é predominante o baixo crescimento econômico; elevado custo de vida; a questão migratória e a insatisfação popular.
O questionamento que fica ao panorama: a problemática está nos líderes que assumiram o cargo de premiê ou os próprios desafios criados pela nação inglesa via pós-Brexit. O Reino Unido está “aprendendo” na prática os efeitos da polarização política.
Sobre Guilherme de Andrades:
Professor/Historiador, com 5 especializações, abarcando História e Geografia do Brasil, bem como Metodologias do Ensino e Docência do Ensino Superior. Possui inúmeras certificações USP sobre Ciências Humanas.













