As forças de Vladimir Putin usaram o supermíssil Orechnik durante um grande ataque aéreo à Ucrânia na noite desta quinta-feira (8). O modelo balístico de alcance intermediário russo desenhado para guerras nucleares havia sido testado contra o país em novembro de 2024.
Segundo o Ministério da Defesa russo, a ação foi uma vingança contra a tentativa de Kiev de alvejar uma residência de verão de Putin com aviões-robôs no fim de dezembro. O presidente Volodimir Zelenski negou a iniciativa e disse que Moscou queria tumultuar as negociações de paz que travava com os EUA e a Europa.
O ataque também ocorre em meio à tentativa europeia de um acordo favorável a Kiev na guerra iniciada por Vladimir Putin em 2022, e um dia depois de forças dos Estados Unidos apreenderem um petroleiro de bandeira russa com óleo embargado venezuelano. Até aqui, Moscou havia reagido de forma discreta ao caso.
Na manhã desta sexta (9), a chancelaria ucraniana convocou uma reunião de emergência com a Otan e do Conselho de Segurança da ONU. Ao mesmo tempo, o governo buscou minimizar o impacto da ação —muito mais simbólico do que militar, de todo modo.
O alvo do Orechnik (aveleira, em russo), segundo relato inicial, foi o maior depósito de gás subterrâneo da Europa, em Strii. O local fica na região de Lviv, a principal cidade do oeste ucraniano, a menos de 100 km da fronteira da Polônia, país membro da aliança militar ocidental.
Câmeras de segurança captaram os clarões às 23h46 (18h46 em Brasília), antecipando uma noite com diversos ataques em vários pontos do país. Foram empregados 36 mísseis e 242 drones. Em Kiev, ao menos quatro pessoas morreram.
Um alerta de lançamento de Kasputin Iar havia sido declarado 11 minutos antes das explosões. Houve apagões na região. O mesmo ocorreu em outras regiões, como Kiev, onde cerca de metade da cidade ficou no escuro.
Nesta sexta, a Ucrânia disse que só foi atingida uma fábrica, apesar de haver imagens de incêndios de grande escala na noite anterior.
O míssil, que emprega até seis ogivas independentes, uma formulação típica para o emprego de armas nucleares —que, por óbvio, não foram usadas agora. Como em Dnipro, cada ogiva tinha até seis submunições, sem explosivos, contado apenas sua força cinética.
Brutal
Ela é brutal: as cargas caem a 11 vezes a velocidade do som, ou 13,5 mil km/h. Como o míssil sai da atmosfera, sua detecção precisaria ter sido feita por sensores dos EUA ou da Europa inexistentes na Ucrânia. E Kiev não tem interceptadores capazes de atingir tais armas no espaço.
Desta forma, a arma faz estragos localizados quando não está com explosivos convencionais ou nucleares. No caso, foi mais uma demonstração de capacidade.
Putin sempre que pode faz propaganda do míssil, considerado por ele invencível. Depois do alegado ataque à residência presidencial, a Rússia anunciou a abertura do primeiro batalhão operacional do Orechnik em Belarus, com alcance para atingir toda a Europa. Mas o lançamento desta quinta foi da base mais distante, na Rússia.













