Após dois anos de contas no vermelho, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) viu encolher quase pela metade o caixa livre, que não tem destinação obrigatória, enquanto prepara novos empréstimos para tocar projetos que são vitrines eleitorais.
De acordo com dados do Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo), o caixa livre do estado, de recursos do Tesouro, passou de R$ 52,9 bilhões, em 2022, para R$ 26,7 bilhões no ano passado – uma diminuição de 41,5%, que representa R$ 26,2 bilhões.
O governo argumenta que parte dos gastos se refere a outros Poderes, ressalta que teve superávit primário e que foi obrigado a revisar o caixa recebido pela gestão do ex-governador Rodrigo Garcia (sem partido).
Se for levado em consideração apenas os gastos do Executivo, o valor em caixa caiu R$ 18 bilhões – passando de R$ 47,5 bilhões para R$ 29,5 bilhões, o equivalente a 37,5%.
O caixa de dinheiro que não vem do Tesouro, ou seja, repasses do governo federal que já vêm carimbados para uma destinação específica, subiu. No entanto, mesmo somando essa verba, o caixa geral de São Paulo caiu de R$ 81,9 bilhões em 2022 para R$ 74,3 bilhões no ano passado.
Dois anos seguidos de déficit
O governo arrecadou, em 2025, R$ 372,8 bilhões e gastou R$ 385 bilhões em 2025, um déficit de R$ 12,2 bilhões. É a segunda vez que o estado fica no vermelho desde que Tarcísio assumiu o Palácio dos Bandeirantes – no primeiro ano, o déficit foi de R$ 1,6 bilhão. A venda da Sabesp, companhia de saneamento básico, impediu outro resultado negativo em 2024, quando houve um superávit de R$ 8,2 bilhões.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) alertou sobre os gastos ao aprovar o relatório do conselheiro Dimas Ramalho sobre contas do governo em 2024. O ex-conselheiro Sidney Beraldo afirmou que o governo deveria tomar medidas “estruturantes” para assegurar um equilíbrio entre a arrecadação e os compromissos de despesas. “Não teremos uma Sabesp por ano para ser privatizada e receber esses recursos adicionais”, afirmou.
Enquanto o caixa livre caiu, o montante relativo a valores que não são do Tesouro (como repasses e convênios), tidos como próprios, vem subindo na gestão Tarcísio. Passou de R$ 22,3 bilhões em 2022 para R$ 39,4 bilhões.
De acordo com dados da execução orçamentária, saúde e educação tiveram peso no déficit do ano passado. O orçamento aprovado para a Secretaria da Saúde era de R$ 36,4 bilhões, mas o valor liquidado até o momento foi de R$ 39,2 bi, quase R$ 3 bilhões de diferença. Na educação, o valor inicial era de R$ 32,8 bilhões e o gasto já chega na casa dos R$ 34 bilhões.













