É de conhecimento de todos que boa parcela da mídia contemporânea brasileira, da escala local a nacional; impressa; televisiva ou digital, assume o papel de legitimar os projetos de gestão, do municipal ao federal, de forma enviesada. É necessário que o discurso midiático consolide e possibilite um consenso social, na maioria das vezes, para efetivar os interesses das elites, via processo de tornar a ideia da classe dominante como algo de vontade coletiva, marginalizando os oposicionistas e as contradições eminentes.
Em outros termos, a imprensa constrói narrativas justificadoras, incorporando os mesmos objetivos das prefeituras, governadores e presidente, comprando e reproduzindo falas oficiais, sem o criticismo adequado e crucial. O espaço urbano neste aspecto, é visto como empresa, em busca permanente de investimentos. O dinamismo econômico é considerado primordial, a partir da ideologia do crescimento, difundida em nome de uma suposta expansão do emprego e renda.
Na temática, é indissociável a mídia, a gestão urbana em alinhamento com a centralidade do setor imobiliário nas economias e o lucro não cessante. Como contraponto aponta-se o “Programa Minha Casa, Minha Vida”, do primeiro governo Lula.
No panorama abordado, em nível micro, o Estatuto da Cidade, documento que abarca a função social da propriedade e do espaço urbano, é deixado de lado, em nome da expansão das desigualdades e a supervalorização dos preços, sendo essa lucrativa ao setor da elite imobiliária, algo jamais mencionado pelas mídias. Fato este observado no interior de SP, nas chamadas “Cidades Médias”, como Bauru e Piracicaba, com a explosão dos loteamentos fechados no início do século XXI e o desmonte das legislações ambientais, com maior coeficiente de aproveitamento em áreas antes restritas e de baixo CA.
Deve ser elencado também o fato das prefeituras serem responsáveis pela infraestrutura, condição básica, mas que muitas vezes é inserida onde não há usuários dos serviços públicos, devido a não compatibilidade de renda, ou seja, o setor privado é utilizado. Por outra dimensão, acaba por encarecer os lotes, não ocorrendo combate nenhum à especulação.
É naturalizada a discrepante desigualdade, apontada como consequência natural e bem vista a partir do desenvolvimento econômico ilusório, com o fomento discursivo das mídias apoiadas no político de plantão a depender dos contextos temporais e por fim, na atualidade, fazendo uso de fake news. Feito o “enredo”, os discordantes são invisibilizados.
Sobre Guilherme de Andrades:
Professor/Historiador, com 5 especializações, abarcando História e Geografia do Brasil, bem como Metodologias do Ensino e Docência do Ensino Superior. Possui inúmeras certificações USP sobre Ciências Humanas.













