Crônica
A SEMIÓTICA DO PASTEL
José Carlos Santos Peres
O pastel, em época eleitoral ganha melhor recheio? Ridículos esses nossos candidatos que se deixam fotografar mordendo com voracidade um “pastelzinho do amigo feirante”. Alguns até ousam num copo de plástico com garapa, para dar mais emblema ao ato.
Na semiótica imbecilizante do pastel, “gente como a gente”. É o que os desprovidos de senso de responsabilidade e inteligência imaginam passar aos incautos.
Outra situação que causa estranhamento – para não dizer repulsa - é político, também em época eleitoral, apresentar-se em camisas de mangas arregaçadas, com um reloginho de plástico vagabundo para, daquele mesmo campo semiótico, projetar a imagem de alguém que “não tem medo do trabalho”.
Houve, não faz muito, um candidato ao Palácio dos Bandeirantes dividindo vassouras com garis numa calçada; e um prefeito catarinense retirando matinhos de um canteiro central não sem antes, claro, convocar seu assessor de imprensa para registrar o ato.
Há outros comportamentos discutíveis, como o de comparecer a eventos religiosos e usar o nome de Deus como peça de mercadoria, “elemento” de permuta para conquistar eleitor.
Contrito, subindo as pregas vocais no Aleluia e passeando o “olhar lacrimejante” pelo salão para entender o alcance de sua fé fabricada na bacia do oportunismo. Pior pecado é o do condutor da pregação avisar as suas ovelhas da presença do nobre candidato entre elas. Ave!
Enfim, esses signos que os nossos políticos utilizam para chegar aos eleitores vem de longe, como um arquétipo que – como tal – enraizado no uso e costumes dessa “gente” que faz política rastaquera. Vem lá dos sapatos trocados do Jânio com sua vassourinha até chegar nessa turma do pastel.
Hoje, a turma do “me engana que gosto” está na feira, no átrio de uma igreja e nesses rebolados constrangedores de tiktoks para se mostrar moderninho.
Ações programáticas, discussões pautadas no sentido de entender a sociedade e considerar projetos sociais abrangentes que possam transformar para melhor qualificar a vida dos cidadãos não fazem parte do repertório desses nossos políticos.
Eles – nossos candidatos - estão, sim, mais preocupados com qual dança devem se fazer no picadeiro virtual e com qual Deus devem se fazer nos portões de nossas casas.













