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Palanque do Zé #362 - As inimigas dos Nazistas

Por Jornal A Bigorna 21/07/2025 14:30:00 784
Palanque do Zé #362 - As inimigas dos Nazistas

Quem acompanha o Palanque há mais tempo sabe que a Segunda Guerra Mundial me fascina.

Gosto do assunto porque o maior conflito militar já perpetrado pelo ser humano é palco de narrativas heroicas e estratégias militares audaciosas, que revelam a nossa melhor faceta.

Onde mais, senão na Segunda Guerra encontraríamos um grupo de mulheres que, de um salão transformado em tabuleiro de guerra, desafiaram a supremacia dos temidos U-boats nazistas?

Enquanto a lenda da Enigma domina os livros de história, a verdade é que as verdadeiras inimigas Dönitz secretas do Almirante Karl foram as brilhantes mentes da Unidade Tática de Abordagens Ocidentais (WATU, na sigla em inglês), lideradas por figuras femininas visionárias.

Os U-boats, que eram os submarinos da Marinha Alemã, foram um verdadeiro pesadelo para o Herói do Mundo Livre, Sir Winston Churchill, porque Dönitz tinha tanto êxito em afundar navios com suprimentos britânicos, que a Grã-Bretanha chegou a ter, por diversas vezes, suprimentos essenciais tanto para os civis quanto para os militares, suficientes para apenas quatro meses.

A narrativa popular atribui o fim da “era de ouro” dos submarinos alemães à quebra do código da Enigma em Bletchley Park. Contudo, essa é apenas parte da história.

Isso porque a decodificação das mensagens da Enigma não era em tempo real, e as informações eram frequentemente fragmentadas, insuficientes para proteger comboios navegando por centenas de quilômetros de oceano. Para agravar a situação, o Almirantado Britânico, preso a uma mentalidade arcaica que via submarinos como “coisa de pirata”, falhou em desenvolver táticas eficazes, enquanto Dönitz, com sua expertise, desenvolvia o que viriam a ser às modernas táticas da guerra submarina.

Em meio a esse cenário crítico, entra em cena o vice-almirante Cecil Vivian Usborne, encarregado de desenvolver armas antissubmarino. Sua escolha para liderar uma nova unidade de estudos foi o capitão Gilbert Roberts.

Roberts, um oficial de carreira mais inclinado aos livros e jogos de guerra do que ao comando de navios, havia sido compulsoriamente aposentado devido à tuberculose. No entanto, sua mente analítica e seu profundo conhecimento de estratégias eram inestimáveis. Usborne o convocou, reativou seu posto e o encarregou de organizar a WATU, para a sorte de Churchill e da humanidade.

A missão da WATU era clara: estudar os jogos de guerra para desvendar as táticas de Dönitz e, a partir daí, desenvolver contramedidas. Em 1942, essa ideia soava absurda para a maioria dos integrantes da Marinha Britânica, que eram acostumados a resolver os seus problemas com tiros de canhões.

Diante desse cenário pouco promissor, Roberts enfrentou uma enorme dificuldade para recrutar oficiais, encontrando jovens cheios de marra, mas sem a habilidade tática ou o respeito necessário para a sua abordagem inovadora.

Foi então que Vera Laughton Mathews, a diretora do Women’s Royal Naval Service (WRNS), as “Wrens”, interveio. Enquanto a maioria das mulheres da Marinha Real desempenhava funções de apoio, Vera havia montado uma tropa de elite. Entre elas, destacava-se Jean Laidlaw, uma jovem de 21 anos que estava se tornando a primeira mulher formada em Contabilidade no Reino Unido.

Roberts, inicialmente cético, não demorou a se impressionar com o intelecto, a capacidade analítica, a improvisação e a habilidade de aprendizado dessas jovens. Ao contrário dos oficiais navais, elas não tinham preconceitos, aplicando seus conhecimentos – muitas delas com formação em Matemática – aos complexos problemas propostos por Roberts.

Juntos, eles desenvolveram um simulador inovador: o chão de um salão se tornava o oceano, com modelos de madeira representando navios e submarinos. Algumas mulheres interpretavam comandantes, outras simulavam transmissões de rádio. Roberts até mesmo utilizou um lençol para cobrir a posição do comandante do comboio, limitando sua visão a uma fresta, simulando a realidade da guerra no mar.

As simulações iniciais revelaram uma verdade chocante: as táticas britânicas existentes eram ineficazes. Foi então que a WATU deu à luz a tática Raspberry, um divisor de águas na guerra antissubmarino.

Embora autorizada por Usborne, a WATU sofria com a desconfiança dos comandos diretos. Um dia, o comandante direto da unidade, que via os jogos de guerra como um desperdício de recursos, visitou o salão de simulações.

Inicialmente desinteressado, ele ficou pasmo ao ver Roberts demonstrar, em detalhes, a ineficácia das táticas navais vigentes e apresentar a Raspberry. “Quem desenvolveu a tática Raspberry?”, perguntou ele. “Jean Laidlaw”, respondeu Roberts, apontando para a jovem assustada. A resposta foi um categórico “Bom trabalho”, seguido de uma ordem imediata para revisar as táticas de todos os comandantes navais.

A influência da WATU se estendeu ainda mais com a visita do almirante Max Horton, o comandante-geral, que também era cético em relação aos jogos de guerra e pretendia encerrar o “experimento”. Horton, com a arrogância de um veterano da Primeira Guerra Mundial, aceitou participar de um jogo. Roberts explicou que seu objetivo era apenas sobreviver. Meses de cálculos, refinamentos da tática Raspberry e a consideração de dezenas de fatores – sonar, avistamentos, rotas prováveis, clima – culminaram na “derrota” do submarino de Horton.

Indignado, ele exigiu repetir o jogo.

Por cinco vezes, tentou mudar as táticas, mas foi repetidamente derrotado. Finalmente, admitiu a derrota e pediu para conhecer o oficial que o havia vencido. Roberts puxou de trás do lençol a Wren Janet Okell, de 19 anos. Horton havia perdido para uma mulher. Para piorar, Roberts explicou que a tática havia sido desenvolvida por Jean Laidlaw.

Para seu crédito, o almirante Horton engoliu o orgulho ferido e imediatamente ordenou que as táticas fossem ensinadas a todos os oficiais navais, transformando a WATU em uma grande escola.

No início, a resistência a mulheres ensinando táticas de combate era evidente, mas uma ou duas rodadas no simulador eram geralmente suficientes para “baixar a bola” dos oficiais. A eficácia da Raspberry foi logo comprovada no Atlântico: em um dos primeiros usos da tática, os alemães afundaram 14 navios aliados, mas perderam 13 submarinos – uma perda insustentável. Em maio de 1943, os U-boats nazistas abandonaram o Atlântico.

Ao todo, 66 Wrens trabalharam na WATU, colaborando com oficiais navais que, a essa altura, já não viam os jogos de guerra como inúteis. Cursos de seis dias, com turmas de 50 oficiais, continuaram até julho de 1945. Além da Raspberry, as Wrens desenvolveram outras táticas para diferentes cenários de ataque e, mais tarde, contribuíram com estratégias para o combate no Pacífico e para o Dia D, a maior operação militar jamais vista pela humanidade.

É notável que, no calor da batalha, quando um comandante de comboio gritava “RASPBERRY! RASPBERRY!” e todos executavam a complexa dança ensaiada, talvez poucos soubessem que estavam seguindo uma tática desenvolvida por um grupo de mulheres que nunca haviam pisado em uma embarcação de combate.

Como muitas outras mulheres que contribuíram para o esforço de guerra, como as criptoanalistas de Bletchley Park, as Wrens de Gilbert Roberts foram esquecidas por um tempo, mantidas longe dos holofotes. As congratulações se estendiam, no máximo, ao Capitão Roberts “e sua equipe”, sem maiores detalhes.

Felizmente, essas heroínas silenciosas estão sendo redescobertas, e sua inestimável contribuição para a vitória sobre o Terceiro Reich, que era comandado pelo “Tampinha Austríaco” finalmente está recebendo o devido reconhecimento.

A história, aos poucos, revela suas verdadeiras inimigas secretas.

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