Em uma era em que foguetes reutilizáveis da SpaceX nos fazem sonhar com colônias marcianas e bilionários disputam corridas espaciais, penso que devemos olhar para trás. Para quem começou tudo isso.
Quantas pessoas pisaram lá? Doze homens, que deixaram suas marcas na poeira fina do Mar da Tranquilidade, e entraram para a história da humanidade.
Vale destacar que apenas 12 pisaram em nosso satélite natural, mas foram 24 os que a orbitaram, mas sem deixar suas naves.
Tudo começou com um desafio presidencial em plena Guerra Fria. Em 1961, após Yuri Gagarin girar a Terra como um cosmonauta soviético pioneiro, John F. Kennedy prometeu que os Estados Unidos levariam humanos à Lua antes do fim da década.
Não era só ciência; era geopolítica com esteroides. O Programa Apollo, da NASA, nasceu das cinzas dos Mercury e Gemini – aqueles testes iniciais que enviaram seis solitários ao espaço entre 1961 e 1963, e depois dez duplas entre 1964 e 1966, lapidando as técnicas para o grande salto.
De 1966 a 1972, o Apollo transformou ficção em fato, com voos não tripulados orbitando a Terra, testes de equipamentos no Apollo 7 (que deu 163 voltas no planeta em 1968) e, finalmente, o êxodo lunar.
Foram nove missões Apollo que tocaram o satélite natural da Terra, todas com tripulações americanas – um lembrete de que, naqueles anos, a exploração espacial era um esporte de times nacionais.
Dos 24 astronautas enviados, 12 desceram à superfície, coletando rochas, plantando bandeiras e até brincando com bolas de golfe. Os outros 12, heróis quase anônimos do comando, circundaram a Lua em módulos orbitais, garantindo que os pousadores voltassem para casa.
Nenhum deles era mulher, nenhum de fora dos EUA, o que deve mudar ainda esse ano, se tudo der certo.
Vamos aos nomes, porque heróis merecem ser chamados pelo nome. Os primeiros a orbitar, sem pousar, foram Frank Borman, Jim Lovell e William Anders, no Apollo 8, de 21 a 27 de dezembro de 1968. Eles foram os pioneiros: A primeira tripulação humana a circundar a Lua e voltar inteira, avistando o nascer da Terra do vácuo negro do espaço. Um mês depois, o Apollo 10 – Thomas Stafford, John W. Young e Eugene Cernan – fez o ensaio geral, descendo o módulo lunar a meros metros da superfície, com Young no comando orbital.
E então, o momento que parou o mundo: Apollo 11, em julho de 1969. Neil Armstrong, o engenheiro calmo que murmurou "um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a humanidade", foi o primeiro. Buzz Aldrin, logo atrás, o segundo. Michael Collins, o esquecido, orbitou sozinho por horas, tornando-se o nono a chegar à Lua. Eles plantaram a bandeira americana no Mar da Tranquilidade, deixando para trás uma placa que diz: "Aqui os homens do planeta Terra pisaram pela primeira vez na Lua. Viemos em paz, em nome de toda a humanidade."
No Apollo 12, Pete Conrad (o terceiro a pisar na Lua) e Alan Bean passaram 32 horas na superfície, enquanto Richard F. Gordon orbitava. Bela demonstração de força.
Mas nem tudo foi fácil, porque veio o Apollo 13, em abril de 1970, e as coisas deram errado: Uma explosão no tanque de oxigênio abortou o pouso, mas Jim Lovell (já veterano do 8), Fred Haise e Jack Swigert transformaram o módulo lunar em balsa salva-vidas. Orbitaram por quase quatro dias em meio a dióxido de carbono tóxico, frio cortante e rações mínimas – Haise e Swigert viraram o 13º e 14º a alcançar a Lua.
O Apollo 14 trouxe Alan Shepard, o primeiro americano no espaço em 1961, agora o quinto a pisar na Lua – e o único a dar tacadas de golfe lá em cima.
No Apollo 15, David Scott e James B. Irwin inauguraram o rover lunar, um carrinho elétrico que os levou a quase três dias de explorações, com Alfred Worden orbitando a Lua.
Com a Apollo 17, em dezembro de 1972, o homem chegou na Lua pela última vez: Eugene Cernan (12º e último a pisar) e Harrison Schmitt, o primeiro geólogo profissional na Lua, coletaram 115 quilos de rochas em mais de 22 horas.
Meio século depois, com a Artemis prometendo retomar a corrida especial, me pergunto: O que aquelas pegadas nos dizem? O impossível é só uma questão de vontade? A Lua não é o fim, mas o começo de uma nova história? Realmente não sei. Mas estou muito empolgado!
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