Qualquer pessoa com um nível mínimo de inteligência sabe que armas de fogo não matam pessoas. Pessoas matam pessoas.
Assim como furadeiras não causam acidentes de trabalho e automóveis não provocam engarrafamentos nem acidentes de trânsito.
Os culpados são sempre nós, os seres humanos, que nutrem predileção especial por não seguir regras básicas de segurança e boas práticas de uso. Gosto de chamar isso de “fator tripa”. Aprendi essa com o Sérgio Sacani, o popular “Gordão dos Foguetes”, que é para mim, um dos poucos influenciadores digitais que vale a pena ser seguido.
O mesmo, por óbvio, acontece com as inteligências artificiais, que não passam de ferramentas.
Elas são poderosas?
Sim!
Mas ainda assim, são apenas ferramentas. Devido ao seu grande poder de mudar nossas vidas, assim como aconteceu com o fogo nos primórdios, com a roda mais adiante na incrível história da raça humana, com a energia elétrica no início da revolução industrial e com as armas de fogo, após Samuel Colt, vejo as IAs sob ataques constantes, mesmo que todos saibam que seus benefícios superam por muito, seus malefícios.
Mas a vida é assim, infelizmente. Certamente quando a humanidade controlou o fogo, tinha gente dizendo que aquilo era coisa do Capeta, etc. e tal. Hoje, absolutamente todas as casas, para não falarmos do resto, possui um fogão, isqueiros e fósforos. Porque eles são bonitos? Não! Porque são úteis!
Quando Henry Ford popularizou os automóveis, os condutores de charretes também devem ter ficado chateados.
Os “condutores de charretes” dos nossos dias são todos aqueles que acham que as IAs vão roubar nossos empregos, consumir toda a água do planeta e tudo mais de ruim que você possa imaginar.
A última idiotice que li sobre o assunto diz que recentes pesquisas acadêmicas, especialmente aquelas desenvolvidas pela Microsoft em parceria com a Universidade Carnegie Mellon e pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), revelam que estamos emburrecendo devido ao uso excessivo de Inteligências Artificiais.
Pesquisadores do MIT cunharam o termo “dívida cognitiva” para descrever o que ocorre quando delegamos sistematicamente tarefas mentais à IA sem nunca exercer essas capacidades por nós mesmos.
Escrever um e-mail? IA! Resumir um relatório de 10 mil folhas? IA! Criar um post para redes sociais? IA!
É óbvio que, se essas atividades inúteis fossem o objetivo final de nossas vidas, teríamos um problema.
A falha central dessas pesquisas, é que executar tarefas repetitivas nunca foi o nosso objetivo de vida.
Ou você usa furadeiras para fazer furos ao invés de pendurar quadros?
O problema não é a existência da IA, é a escolha das pessoas, de delegar toda a sua responsabilidade cognitiva, para o robô.
Será que se eu der um tiro na TV toda vez que quiser desligá-la, estarei fazendo bom uso do meu revólver? Então, com a IA, é a mesma coisa!
As inteligências artificiais vão roubar seu emprego? Vão! Se você não souber usá-la. Assim como os carros roubaram o emprego dos condutores de charrete que não entenderam que o trabalho deles era levar e trazer, e não conduzir cavalos!
Você já parou para pensar que os motoristas de aplicativo são os condutores de charrete do século 21? É, pois é! O veículo e as habilidades requeridas para conduzi-lo mudaram, mas a necessidade de ir e vir, não!
É verdade que a neuroplasticidade funciona conforme o princípio de “usar ou perder”. Habilidades não exercitadas se atrofiam. Se você usar a IA para gerar todas as suas ideias, sua criatividade sofrerá. Se você externalizar toda retenção de informações para a máquina, sua memória se deteriorará. Se você nunca questionar uma resposta, seu pensamento crítico enfraquecerá.
Isso não é uma falha da tecnologia, mas sim o mais puro suco do Fator Tripa em ação!
O cérebro humano funciona com estímulos, independente de tecnologia. Se você não ler livros, sua capacidade de concentração diminui. Se você não conversar, sua eloquência murchará. Se você não resolver problemas, seu raciocínio lógico enfraquecerá. Contra fatos, não há argumentos!
Sabemos que as pessoas tendem a evitar a liberdade quando ela implica responsabilidade e incerteza. É justamente por isso que as pessoas preferem acreditar que, pelo fato de existirem policiais na cidade, elas não precisam de uma arma de fogo...
Para não emburrecer, basta usar a IA responsavelmente:
• Não aceite a primeira coisa que ela te entregar.
• Compare, analise, escolha conscientemente.
• Entenda o que precisa ser feito e, após, apresente o problema para diversas IAs. Leia suas soluções e, se preciso for, mescle-as.
Práticas assim não eliminam a conveniência do uso das IAs, mas te ajudam a se potencializar.
Como Advogado atuante há mais de 14 anos, te garanto que um estudante de Direito no primeiro dia de aula está mais apto a defender uma causa hoje, do que o grande Dr. Ruy Barbosa em seu último caso. Desde que ele saiba usar a IA, é claro!
Isso diminui o Dr. Ruy? É óbvio que não, porque ele não tinha todas as leis, normas, decretos e jurisprudências, de todos os tribunais do mundo – ao mesmo tempo – organizadas na palma da mão!
Então, o recado dessa coluna é absolutamente claro: Pare de se fazer de vítima e vá fazer algo que só você pode fazer... A sua parte!
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