A liberação de mais de 3 milhões de páginas de arquivos pelo Departamento de Justiça dos EUA, cujo link eu disponibilizo no rodapé desta coluna, recolocou o caso Jeffrey Epstein no centro do debate público, com destaque para novos detalhes sobre Donald Trump, Bill Gates, Elon Musk, Ex-Príncipe Andrew e MUITOS outros poderosos ao redor do mundo.
Até Lula, Bolsonaro e a apresentadora Luciana Gimenez, dentre outros brasileiros, foram mencionados nos e-mails e documentos de Epstein. Mas acalme seu coração, pois isso não significa – por si só – que participaram dos crimes de Epstein, que negociaram com ele ou sequer o conheceram. Inclusive, o próprio Departamento de Justiça dos EUA classifica diversas das alegações contra muitas pessoas, inclusive Trump, como sendo infundadas.
Não há novas condenações criminais, mas o escrutínio renovado recai sobre como um esquema de exploração sexual de menores operou por anos com aparente proteção institucional, envolvendo nomes de elite.
Inicialmente, o presidente Donald Trump resistiu à divulgação total, mas assinou lei de transparência após pressão do Congresso e da opinião pública. Até o momento em que escrevo essa coluna, o tema alimenta disputas políticas bipartidárias, sem alterar o núcleo factual já julgado nos tribunais.
LINHA DO TEMPO ESSENCIAL
O caso tem raízes documentadas em 2008.
Jeffrey Epstein foi sentenciado a 13 meses de prisão após acusação de abuso sexual contra uma menina de 14 anos em sua mansão em Palm Beach; outras vítimas foram identificadas e fotos de adolescentes foram encontradas na residência.
Ele obteve acordo polêmico que permitiu trabalho externo seis dias por semana, livrando-o de pena mais grave.
Em 2019, Epstein foi preso novamente em Nova York, acusado de comandar esquema federal de tráfico sexual de dezenas de meninas. Ele negou as acusações e foi encontrado morto na cela um mês depois, com a morte oficialmente classificada como suicídio — fato que gerou teorias de conspiração.
Juridicamente, o caso divide-se entre os eixos penal e civil.
No penal, Epstein foi condenado apenas no acordo estadual de 2008 por solicitação de prostituição envolvendo menor. As acusações federais de 2019 (tráfico sexual e conspiração) nunca foram a julgamento porque ele morreu antes.
Civilmente, vítimas moveram ações por danos, resultando em acordos financeiros sem admissão de culpa. “Acordo” significa resolução privada ou judicial sem reconhecimento de responsabilidade; “condenação” exige prova além de dúvida razoável em tribunal penal com júri.
O caso gerou impacto institucional ao expor falhas: O acordo de 2008 foi considerado leniente e o suicídio de Epstein em custódia federal levantou questionamentos sobre falhas de segurança.
Politicamente, os arquivos revelam menções a figuras de elite. Donald Trump consta em lista de denúncias de supostos abusos sexuais que foi compilada pelo FBI, mas o Departamento de Justiça afirma que as alegações são infundadas; ele foi amigo íntimo de Epstein e frequentou festas, porém cortou relações anos antes da prisão de 2019 e não enfrenta acusações formais no caso.
Bill Clinton aparece em fotos e registros de viagens, o que não significa conduta criminal imprópria, mas esclarece os motivos pelos quais a Hillary muitas vezes o fez “dormir no sofá” depois do advento do Caso Monica Samille Lewinsky!
Elon Musk é mencionado em mensagens perguntando sobre “festas mais selvagens” na ilha de Epstein, o que lhe trará problemas no futuro. Se não com a Lei, em casa.
O Ex-Príncipe Andrew, atualmente conhecido apenas como Andrew Mountbatten-Windsor, foi o que mais saiu perdendo até agora (além de Epstein e sua viúva, é claro), pois ao constar em fotos e registros de viagens, foi acusado de vazar dados sigilosos do Governo Britânico, para possibilitar que Epstein pudesse ganhar dinheiro, foi “excomungado” da Família Real e até preso, por 11 horas essa semana, para prestar esclarecimentos. Se condenado, pode pegar prisão perpétua.
Steve Bannon, ex-conselheiro de Trump, também conversou com Epstein, mas seu caso é pitoresco, pois tal fato se deu pouco antes da morte do financista criminoso.
Ghislaine Maxwell, “viúva” e principal associada de Epstein, foi condenada em 2021 em tribunal federal por recrutar e facilitar abusos de adolescentes entre 1994 e 2004. O júri considerou provados, com base em testemunhos de vítimas, registros de viagem e evidências financeiras, que ela atuou como facilitadora central.
Atualmente, Maxwell cumpre pena de 20 anos em prisão federal de segurança mínima. Não há menção a ela nos materiais liberados recentemente.
CONCLUSÃO:
Sei que estou deixando de fora muitos aspectos da história, mas realmente seria possível escrever mil folhas sem esgotar o assunto, então foquei na ideia de passar somente “o mínimo que você precisa saber sobre”.
Para se aprofundar no assunto, recomendo o uso de Inteligências Artificiais, Google e, obviamente, veículos de mídia.
Há, também, é claro, o “Arquivo Epstein”, cujo link está no final do texto, onde você poderá ver fotos, vídeos, relatórios do FBI, e-mails, logs de voo e mensagens de 2005-2019, que foram liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos após a lei de transparência ser aprovada pelo Congresso.
Tudo está em inglês, naturalmente, mas com um bom tradutor integrado ao seu navegador, você poderá aproveitar o arquivo sem saber a língua do Tio Sam.
Vale dizer que documentos “liberados”, no âmbito do “Arquivo Epstein”, significa apenas remoção de sigilo administrativo ou judicial por determinação legal — não validação do conteúdo nem prova de crime.
Da mesma forma, ser citado não equivale a culpa.
Depoimento ou menção é declaração ou registro sob investigação, mas pode ser contestado, incompleto ou sem corroboração.
E, obviamente, o contexto importa.
Frequentar festas ou voar no avião não prova participação em crimes.
Uma mensagem pode ser casual.
Assim como ausência de processo não prova inocência, então deixemos com que a Justiça faça o seu trabalho, e puna os culpados.
Utilizemos o arquivo abaixo apenas para iniciar as pesquisas, para qualquer fim legítimo.
--- -- ---
Para acessar o “Arquivo Epstein”, diretamente no site do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, acesse o link: https://www.justice.gov/epstein
--- -- ---
Se você gosta e apoia o meu conteúdo, participe dos grupos do Palanque do Zé.
Telegram: https://t.me/palanquedoze
WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/FhUuwHcdyvJ8RrZ9Rzzg53
--- -- ---
Os conteúdos publicados no “Palanque do Zé” não refletem, necessariamente, a opinião do Jornal A Bigorna. Assim, são de total responsabilidade do Autor, as informações, juízos de valor e conceitos aqui divulgados.













