Sheinbaum X Milei e o mundo do trabalho no Brasil?
*Por Guilherme de Andrades
Nos primórdios do Ocidente, tendo Grécia e Roma como enfoque, o trabalho era visto como algo específico das classes subalternas e extremamente desvalorizado. A elite grega, formada integralmente, via denominada formação omnilateral pela Paideia, enxergava no ócio contemplativo a boa vida, isto é, os estudos intelectuais, morais e físicos, em pleno equilíbrio. Tal concepção formará o essencial da vida aristocrática, até o surgimento da burguesia, que promoveu uma reviravolta nesta mentalidade. O ato de trabalhar passa a ser interpretado como algo honroso, que dignifica o homem, o indivíduo que não trabalhar passa a ser marginalizado socialmente, sem utilidade, o produzir torna-se primordial frente ao contemplar.
No Brasil de Getúlio, considerado o “pai dos pobres”, segundo Lira Neto, o mais destacado biógrafo de Vargas, apontou que em 1943, através da Consolidação das Leis Trabalhistas, ou CLT, Vargas favoreceu amplamente o trabalhador brasileiro, instituindo seus direitos: jornada de 8h diárias, férias remuneradas, salário mínimo e descanso semanal e a Justiça do Trabalho. Em 2017, no governo Michel Temer, que assumiu o poder pós golpe de 2016, reformas foram realizadas, no intuito de flexibilização.
Na atualidade dois modelos políticos destacaram-se no mundo do trabalho. No México, representado pela presidente de esquerda, Claudia Sheinbaum, importante modificação constitucional foi aprovada pelo Senado, na semana do dia 11 de fevereiro de 2026: a redução da jornada de 48h para 40h semanais e passa a permitir maior em tempo de hora extra, com pagamento de 100% a mais em relação ao salário. Espera-se redução nos acidentes de trabalho, melhor saúde do trabalhador e maior descanso, evitando o cansaço extremo. Deve-se considerar ainda, os aumentos no mínimo salarial mexicano, que recebeu reajustes consideráveis desde o governo anterior, de Andrés Obrador. O avanço é nítido.
Simultaneamente, na Argentina de Javier Milei, da ultradireita, em 12 de fevereiro, o senado aprovou o retrocesso: aumentou a carga horária diária, de 8h para 12h, e reduziu os salários dos afastados por doenças. Para os trabalhadores ativos, criou-se o dinamismo salarial, recebe-se conforme a produção, podendo ser abaixo do mínimo, o direito à greve foi reduzido e as negociações, antes ocorridas em âmbito judicial, agora poderão ocorrer entre patrão e empregado e por fim, expandiu o período de experiência de 3 meses para até 1 ano.A paralisação, apesar de proibida, instaurou-se pelo país em contrariedade à inconstitucional reforma, o caos foi sentido amplamente nos transportes, como voos, ônibus, táxis e trens. A repressão estatal é intensa.
No Brasil atual, o debate acerca da redução da escala de trabalho tem seus defensores e opositores, visto que a polarização intensa também “abocanhou” tal temática, que seria benéfica ao trabalhador brasileiro, tornando-se, provavelmente, pauta para as eleições presidenciais de outubro de 2026.
Sobre Guilherme de Andrades: Professor/Historiador, especialista em História e Geografia do Brasil, bem como em Metodologias do Ensino. Possui certificação USP sobre Geopolítica Contemporânea.













