Por André Guazzelli - Um jovem procurava desesperadamente a felicidade. Sua vida era um turbilhão de pensamentos desencontrados. Brigas familiares, com os amigos de faculdade, enfim, vivia infeliz. Um sorriso era quase impossível.
Com pouco mais de 20 anos, o jovem apesar dos desencontros era um ótimo aluno de engenharia. Obtinha as melhores notas. Contudo, àquilo não era suficiente para alegrá-lo. Constantemente estava em pé de guerra com os irmãos, mãe, pai, e até vizinhos.
Certo dia, enquanto ia à faculdade, passou defronte a uma igreja e resolveu entrar. Sentou-se e ficou por algum tempo. Saiu de lá pior do que entrara. Deus não existe, disse a si mesmo.
Agoniado, começou a se enveredar para a bebida, o álcool e as drogas. Parou de ir à escola. Sua vida virara de uma hora para outra. As más companhias eram assíduas. Quase não ficava em casa. A maior parte do tempo, estava na casa de pessoas de má-estirpe.
Um dia teve uma overdose. Foi parar no hospital, onde ficou por dois dias. Sentiu a falta de seus pais. Contudo, ninguém aparecera para visitá-lo. Só e depressivo, começou a repensar o valor da vida.
Enquanto estava no quarto, um homem bem-vestido passou por ele, ungiu-lhe a teste e disse: “Vá até o Monte cinco. ” Dizendo isso foi embora.
O monte cinco, era um lugar pouco frequentado. Ele sabia que lá vivia um ermitão, um homem que quase não tinha contato com a sociedade.
Depois de sair do hospital, ele voltou para casa, onde foi acolhido pela mão, mas não bem recebido pelo pai. A mãe o perdoara, e pedira que não voltasse a vida que estava levando.
Ele ficou dois dias trancado em casa, quando, de repente, lembrou da visita e saiu.
Eram muitos quilômetros até o local, mas isso não iria impedi-lo. Queria conhecer o ancião, e saber qual era o segredo da felicidade.
Depois de mais de duas horas subindo a encosta das montanhas, finalmente, ele chegou até o local.
A casa de madeira estava com o lampião aceso e a fogueira era sinal de que algo estava sendo cozido. Parou, pensou em voltar, mas fincou os pés e bateu na porta.
Pensou que encontraria um homem barbudo, com roupas iguais a de Jesus Cristo, mas pelo contrário, viu um homem bem vestido, barbeado, e uma casa bem cuidada e cheia de livros.
O homem, apesar da idade, tinha um sorriso sapiente. Olhou o moço e disse: “Você quer saber o segredo da felicidade, não é meu jovem? ”.
- Isso mesmo senhor. Não aguento mais sofrer. Minha vida é um inferno. Não tenho mais motivos para viver.
O homem convidou a entrar.
- Sente-se.
- Obrigado.
- Vejo um jovem evoluído, e ao mesmo tempo temperamental que não aceita as leis da vida.
- Não aguento mais nada. – disse o jovem em tom de rancor.
- Sua idade é difícil mesmo, entendo suas dúvidas. Entretanto, você precisa ter mais fé em você mesmo. Acreditar no seu potencial, e voltar a estudar.
-Como você sabe que eu estudava?
O ancião fez um gesto com a mão pedindo silêncio.
- Meu filho, o destino dos seres humanos é feito de momento felizes, e não de épocas felizes. Fosse assim, se vivenciássemos a felicidade eternamente, ela perderia o valor. Temos que conquistar nossa felicidade. Veja bem, tristeza e alegria são dois sentimentos que se completam. Da mesma forma que a tristeza não é eterna, a felicidade, também não é.
- Mas senhor, quero respostas.
- E você terá suas respostas. Deus não te dará uma resposta pronta. Ele te dará um caminho a seguir, e você tem que se perguntar, ‘quem sou eu’, o que eu quero de mim. A partir daí tudo começará a ser resolvido dentro de você. Medite, e, se autoconheça, somente quando você se conhecer, é que poderá ter perguntas à Deus. Agora vá para casa, cuide de seus pais, e seja alguém sempre em busca da felicidade, e não deixe a desmotivação ganhar o seu âmago.
Enquanto descia a íngreme montanha, o jovem ouviu o ancião falar-lhe.
- A Deus não importa quem você foi, mas o que será a partir deste momento.













