Vivemos uma inversão de valores com consequências catastróficas para o futuro de São Paulo. De um lado, famílias que abandonaram seu papel fundamental, tratando a escola como "depósito de crianças" e transferindo ao Estado a responsabilidade de formar caráter. De outro, um governo estadual, sob o comando de Tarcísio de Freitas, que não apenas omite-se, mas atua ativamente para desmantelar o ensino público, transformando-o em laboratório para seus experimentos ideológicos e palco de um verdadeiro extermínio da carreira docente. Este movimento de pinça, entre a negligência em casa e a sabotagem no poder, está estrangulando deliberadamente o sistema de educação.
É urgente nomear as responsabilidades: a escola é o espaço da instrução cognitiva, não da alfabetização ética. A educação básica – que ensina respeito, limites e o valor do esforço – é dever intransferível da família. O que se vê hoje é uma geração de pais, da elite à periferia, que abdicou de educar para tornar-se cúmplice da indisciplina. Quando o filho erra, o professor é linchado. Quando o aluno fracassa por falta de base familiar, a culpa é jogada sobre a escola. Ao invalidarem a autoridade docente, esses pais criam indivíduos inaptos para a vida em sociedade, enquanto o professor, já esgotado por salários aviltantes e condições precárias, vira bode expiatório de uma autoridade doméstica falida.
E é justamente nesse terreno fértil da desordem que o governador Tarcísio planta sua solução enganosa: a militarização das escolas. Vendida como panaceia para a indisciplina, a medida é na realidade um atestado de incompetência e um engodo populista. Qualquer análise séria revela a falácia: a Polícia Militarnão tem condições pra exercer nada dentro de qualquer escola, porque o dever deles é proteger sua família nas ruas e patrulhamento pra que seus filhos estejam seguros nas ruas, assim como toda população e colocar PMs aposentados e pior ainda, aposentados com uma médio de idade de 55 anos , e enquanto você pai e mão vão morrer trabalhando e nunca vãio se aposentar e, se aposentare vão ganahar um salário mínimo..
Transformar escolas em extensões de quartéis não resolve a raiz do problema – a falta de limites em casa –, apenas terceiriza e militariza a educação, criando uma falsa sensação de ordem enquanto se esvazia o sentido real do ensino. A escola militar deveria ser opção, não muleta para um Estado que desistiu de investir em educação de qualidade.
No topo desta pirâmide de destruição, Tarcísio de Freitas se revela não um gestor, mas o principal arquiteto do caís. Sob o disfarce de "modernidade", impõe uma uberização da educação: plataformas digitais que reduzem o professor a um operador de cliques e o aluno a um consumidor passivo de conteúdo raso. Isso sem falar nos cortes brutais de verba, no congelamento de investimentos e na desvalorização sistemática dos profissionais. O ensino público está de joelhos porque o governo eleito age explicitamente para destruí-lo. É de uma hipocrisia violenta cobrar índices de aprendizagem quando se elegeu um projeto que vê o professor como despesa, a escola como custo e a educação como mercadoria.
Como esperar que uma geração sem base familiar sólida e com um ensino público deliberadamente sabotado consiga enfrentar os desafios do futuro? A conta chegará para todos.
Aos pais, a exigência é retomar a autoridade, assumir a criação dos filhos e parar de terceirizar valores para a escola.
Ao governador Tarcísio, a cobrança é direta: pare imediatamente com o desmonte. Chega de usar a educação como trampolim político. É hora de investir massivamente no capital humano – começando pela valorização dos professores –, garantir recursos reais para as escolas e abandonar de vez projetos ideológicos que só servem para mascarar seu fracasso administrativo.
A escola não é a causa do problema. Ela é o espelho triste de uma sociedade que negligenciou sua prole e de um governo que escolheu trair seu povo, punindo quem ousa ensinar e condenando o futuro de São Paulo.













